Geografias Cotidianas
sábado, 2 de outubro de 2010
Retratos da situação política às vésperas das eleições: Política e Geografia
sexta-feira, 9 de abril de 2010
5 de Abril de 2010 : A prova cabal da fragilidade urbana carioca e fluminense, ou será também algo além disso?
O Problema...
As geografias do Rio de Janeiro convergem à uma geografia do caos...
Políticos que sempre buscam e apontam culpados. Nos chamam de porcos, badernistas e vândalos, nos chamam às ruas e agora...
Depois desse trágico acontecimento, me vem a cabeça alguns episódios, que já havia discutido com alguns amigos e agora, aproveito a oportunidade pra colocar essas reflexões, que parecem bem oportunas agora. Se não me engano, o primeiro deles foi em novembro passado, quando nosso prefeito, excelentíssimo Eduardo Paes, que sistematicamente tem colocado a culpa de todos os problemas sobre a população. No final do ano passado, o Estado adotou a política do "lixômetro" nas praias e chamou, em rede nacional, os cariocas de porcos! Declaração infeliz, uma figura pública dar um relato tão leviano e descuidado. Responsabiliza a população pela sujeira nas praias para poder cortar gastos governamentais, uma vez que a idéia da política era suspender a coleta de lixo em determinados dias da semana. Em contrapartida, o Estado não oferece uma educação pública de qualidade e tripudia de seus professores, um descaso total. Será mesmo a população porca, ou será o governo desinteresado, a busca de culpados por situações que ele não é capaz de resolver? Será a população porca, ou estará a cidade sinalizando mais uma vez toda a sua fragilidade? Sérgio Cabral, governador do estado, que por sua vez, diga-se de passagem, há dois anos atrás executou uma brilhante manobra política, decretando feriado às vésperas das eleições para prefeito, garantindo a vitória de Eduardo Paes. Só para constatar, a população que viajou para a Região dos Lagos e não voltou para exercer sua cidadania foi aquela de maior poder aquisitivo, da zona sul do Rio de Janeiro, que por sua vez, era um dos maiores eleitorados do outro candidato, Gabeira. A minha crítica com relação a essa população que viajou e não voltou não é menos severa! É inadimissível que uma elite econômica e, partindo do presuposto que bem informada, caia nessa manobra. É inadimissível esse descaso com a política por parte desses que abriram mão de eleger seu candidato para passar alguns poucos dias, aproveitando o sol da Região dos Lagos. Após esse largo parênteses, voltando ao nosso governador,o que chamou a atenção foi com relação ao episódio dos problemas com os trens da Supervia, em particular na estação da Central, no início desse ano. A população trabalhadora, indignada com as pessímas condições dos serviços oferecidos se rebelou, alguns cometeram atos mais extremados em protesto. Mas, a resposta do Estado foi a de sempre: repressão da PM e a declaração de nosso governador foi de que eram bardernistas e vândalos que impedem o funcionamento da cidade e se aproveitaram da situação. Mais uma vez o Estado busca um culpado, que sempre é a população ou parte dela. Após mais uma declaraçao infeliz de uma figura pública que nos "representa" no poder (eu não me vejo representado por eles) o mesmo governador chama a população que fora acusada por duas vezes às ruas. O chamado do povo às ruas não pode ser feito de modo mais indígno. Refiro-me à recente passeata pelos royalties de petróleo. Nunca vi coisa mais inusitada, governador e prefeito, a situação política, organizando uma passeata, em tom de protesto. Só consigo ver esse acontecimento como um atentado do Estado perante a capacidade de mobilização do povo. É como se o Estado dissesse: "Povo, venha às ruas pois eu o convoco. Teremos pão e circo e lutaremos por um interesse econômico nas mãos de poucos, os royalties do petróleo". Afinal, será que aquelas pessoas que lá estavam sabiam mesmo o que estav acontecendo, ou foram para assistir ao show de alguns artistas? Se por um lado, esse episódio mostrou, positivamente, que ainda temos capacidade de nos mobilizar e nos organizar - ainda que de modo questionável - por outro, mostrou também a fragilidade de tal mobilização. Não que a causa do royalties para o Rio de Janeiro não seja justa, mas o que não é justo é o governo, com seu poder político usar de uma arma política da política que não é do Estado, e sim daqueles que não estão no exercício do poder diretamente, mas sim nas massas. Isso sim são as verdadeiras passeatas. Políticos que nos chamam de porcos, badernistas e vândalos, nos chamam às ruas e agora...novamente responsabilizam a população que mora nos morros, nas favelas. Dizem eles, prefeito e governador, que já alertaram inúmeras vezes para o perigo de se morar em áreas de risco. Quanta hipocrisia! É um absurdo termos que ouvir isso! Os que estão no poder nada fazem a não ser culpar a grande parte do povo que vive marginalizada, a mercê do tráfico e das milícias, além de preconceitos e generalização, são duramente responsabilizados pela tragédia. Que culpa tiveram essas pessoas que moram em "áreas de risco"? Lá elas moram não por opção, mas justamente por falta de escolha. O próprio Estado foi, historica e geograficamente, marginalizando a população de baixa renda nos morros, promovendo a segmentação sócio-espacial, e isso vem de longa data. Para esses políticos, é muito fácil culpar essa população pobre, já que não é conviniente promover um programa de habitação que seja realmente popular. É mais conviniente, para eles, contruir cidade da música, do samba, engenhão e mais outras obras-espetáculos, transformar a cidade em um quintal de obras não raro supérfluas, mas que no senso comum, é visto como aquele que "rouba mas faz", porém o faz aleatoriamente, ao meu ver, sem ou com quase nenhuma razão de ser.
Intercâmbio de uma mídia - não raro sensassionalista - com a política institucional
Da meteorologia e dos meteorologistas: Incapacidade técnica ou negligência irresponsável?
Uma outra questão que me deixou muito perplexo e com certo que de uma de mistura de indignação e frustação foi a seguinte: porque o silêncio de nossos meteorologistas? Será que eles não tinham o aparato necessário pra prever essa "anomalia"? Será que preveram, ainda que em menor escala, mas resolveram de modo irresponsável não dar o alerta? Ou será que o modo como essa ciência está se fazendo não é capaz de responer certas perguntas, de prever nada, e somente explicar uma mera fisica da atmosfera? Explicam eles que o Rio de Janeiro encontrava-se com altas temperaturas e com a temperatura do mar também muito elevada, próxima aos 28ºC. Isso provocou uma alta taxa de evaporação, carregando mais as nuvens da frente fria. Tal explicação, embora necessária, parece não ir muito além dessa física da atmosfera, mostrando seus mecanismos de funcionamento. De fato são de grande importância, entretanto, porque não fora dado o alerta? É bem verdade que o Brasil depende da tecnologia norte-americana - se não me engano utilizamos o satélite meteorológico GOES - e o sistema de meteorologia nacional ainda conta com mais 20 radares.
Concluindo...
Enquanto essa visão - que ofusca e faz cegar, cala e despreza toda uma geografia - não for superada, o fantasma do caos irá pairar sobre a cidade. Ele continuará sendo a profecia da geografia cuja voz insiste em ser calada. Essa tragédia da enchente não pode ter suas explicações oferecidas somente pela engenharia, a arquitetura e o urbanismo. Esse reducionismo descuidado faz por tentar camuflar o cerne dos problemas do espaço do Rio de Janeiro, a geografia, seja em seus aspectos políticos-espacias e socias, seja em seus aspectos naturais, sobre qual a geografia tem o dever de explicar e integrar, para uma explicação holística e que dê uma melhor compreensão desse mundo e de sua realidade, que por vezes, parecem escorrer por nossas mãos.
E até quando o dia 5 de Março será lembrado? Sendo otimista, quem sabe até acabar o sonho de 2016 com as olimpíadas, ou talvez bem antes, quandos todos nós apertarmos o verde das urnas, participando daquilo que é conviniente chamar de "a maior festa democrática", que só existe aos olhos dos interesses do governo. Este espera que estendamos nas janelas nossas bandeiras verde e amarela, com a dobradinha copa do mundo e eleições, o Brasil vive em festa, dentro de pouco ela começará esse ano. Assim que o Estado sair de um pseudo-luto.Felipe Cavalcanti.
domingo, 29 de novembro de 2009
Uma resenha geográfica e crítca do texto: As lições da tsunami
SHIVA começa suas reflexões sobre a tsunami já chamando a atenção para a época do ano que o fenômeno ocorreu. Se deu logo um dia após o natal, nas festas de final de ano, em que turistas de toda a parte na Índia e no sudeste asiático como um todo se encontravam. Isso contribuiu para a maior difusão de notícias e a grande repercussão do acontecido. Mas se não fosse durante a alta temporada turística, o desastre teria recebido todo esse destaque? Se só a população asiática tivesse sofrido com a tsunami ele teria tamanha ênfase? Embora tais indagações sejam complexas de se responder a priori, elas nos levam a concluir que ainda hoje existe o etnocentrismo, que coloca em enfrentamento os países desenvolvidos – detetores da civilização – e os subdesenvolvidos, o chamado conflito norte x sul da nova ordem mundial.
Após essa breve introdução, a autora busca encontrar as lições que a tsunami teria provocado à sociedade. E resume a questão – também como forma de dar um ponta pé inicial para discuti-la – dizendo : “Necessitamos escutar a Terra”. Então, ela apresenta a primeira lição, identificando a problemática do desenvolvimento das regiões costeiras. A exploração econômica dessas áreas se da de formas mais variadas possíveis, como atividades de hotelaria, criação de camarão, etc. A autora chega à conclusão de que a vegetação dos mangues, os corais funcionam como barreiras para esse tipo de desastre. Como onde a tsunami ocorreu tal barreira não era efetiva, tendo em vista à atividade turística, a destruição foi potencializada. SHIVA bem coloca que as áreas mais atingidas pela tsunami foram aquelas que eram mais densamente industrializadas e com maior produção de camarão, e sendo por isso mais alteradas. Em contrapartida, nos territórios de tribos nativas, o número de mortos foi muito menor. Com isso, a autora fornece uma prova da validade da primeira lição.
Em seguida, a autora levanta a problemática de que os governos optam por um projeto de desenvolvimento que desconsidera, ou secundarizam os problemas ambientais. Entretanto, ela não explicita que o governo é, não raro, um Estado de privilégios concedidos a pequenos grupos (elites) que o apóia e que se auto-constitui – de maneira que a elite não só é beneficiada pelo Estado, como também o compõem. Esse é o modo de produção do espaço no sistema capitalista, que está no cerne mais profundo de toda essa problemática.
Outra lição é discutida, em que a sociedade de mercado, ao ter como principal objetivo o econômico, está fadada à intensas dificuldades de lidar com desastres, uma vez que a natureza e o homem são fatores em segundo plano, subordinados ao imperativo do capital. Nesse questionamento, a autora fornece um excelente exemplo, quando diz: “Enquanto as bolsas de valores reagem instantaneamente aos sinais mais tênues de oscilação do mercado(...) o mundo levou semanas para contar quantos morreram, quantos ficaram sem teto”. Isso nos permite verificar que o problema não é a tecnologia, mas sim a quem ela está a serviço. Caso tivesse a serviço da sociedade como um todo de forma simétrica, tais informações indagadas pela autora seriam mais rapidamente estabelecidas.
Merece destaque outra passagem, sobre o artigo da Índia em que foi declarado que “o mercado não seria afetado pelo desastre” evidenciando o descaso com os problemas sociais e a “boa” notícia, pelo âmbito econômico que tudo reduz e parece deixar o sistema capitalista em torpor.
A terceira e última lição que a autora coloca diz respeito ao link entre a tsunami e outras formas de desastres, com destaque para as mudanças climáticas, dando uma idéia mas articulada e de inter-conexão entre os problemas sócio-ambientais. Entretanto, a autora negligencia o fato de a Índia estar em uma área de instabilidade geológica, com intensos choques entre as placas Euroasiática e a placa indiana, as mesmas que ergueram o Himalaia. SHIVA parece acreditar que a tsunami é um fenômeno climático, embora também o seja, a base para seu entendimento é a geologia. O espaço geográfico - a síntese do conflito sócio-ambiental - mais uma vez é negligenciado. Para explicar esses desastres, a autora faz uma boa crítica a Lomborg e ao consenso de Copenhagen. O primeiro, por negar a redução do lançamento de gases CO², alegando que reduzir-se-ia o crescimento econômico. E o consenso por minimizar os possíveis efeitos no clima pelas atividades econômicas e/ou industriais.
Para finalizar, a autora exalta o prejuízo provocado pelo que ela chama de “maior tragédia dos tempos modernos” como sendo o privado em detrimento ao público, ou seja, o conflito de interesses entre público – que deveria ser de interesse do governo – e o privado – que o governo privilegia. Outra questão posta ao final do texto, é a dicotomia entre o livre mercado e o que a autora chama de “democracia na Terra”. O livre mercado, representa o sistema capitalista. Já a democracia na Terra, é abordada pela autora de forma reducionista, de uma forma dotada de um antropocentrismo, há que se considerar o direito à vida por todas as formas de vida, uma visão biocêntrica.
Referência bibliográfica:
SHIVA, Vandana – The ecologist 2005
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Por Uma Geografia Crítica do Projeto " Ecolimites"
enorme conteúdo geográfico e que ainda tem muito de ser discutido. O tema era sobre os ecolimites, que já está em destaque na
mídia há algum tempo, sendo atrelada a outra temática - a pacificação do Morro Dona Marta em Botafogo - este já não tão recente
assim.
O projeto do governo estadual - que está sendo conhecido como “ecolimites” - consiste em construir enormes paredões
ao redor das favelas do Rio de Janeiro. E o que pretende o governo com isso? Ora, como já diz o nome, o objetivo é impedir
o crescimento desordenado das favelas, a fim de preservar a natureza da cidade maravilhosa. Basta construir ecolimites e todos os
problemas ambientais estarão resolvidos? Não sejamos tão ingênuos! Será que somente a questão ambiental está por trás disso?
O meio ambiente está no cetro das atenções a nível mundial. É claro que essa questão merece toda a nossa atenção,
poderia enumerar uma série de problemas ambientais, tais como o aquecimento global e os grandes perigos das atividades
mineradoras e da energia nuclear, mas não pretendo abordar isso mais a fundo, quem sabe uma próxima vez. No que diz respeito a
essa questão em moda, devo alertar que há uma grande especulação sobre o meio ambiente - principalmente por parte da mídia.
Voltando à questão do Rio, me parece que os problemas ambientais estão longe de ser o objetivo central da política em
nosso estado. Prova disso é o imenso descaso com a Baía de Guanabara. Somente em 2001 que a estação de tratamentos de suas
águas foi inaugurada e ainda assim, 5 anos depois, somente um quinto de sua capacidade operava em maio de 2006. Com relação ao
projeto dos ecolimites, a ecologia deve apresentar sim a sua importância, porém, ela é secundarizada frente à questão social que
isto tudo permeia. É nesta segunda questão que proponho minha reflexão.
O espaço do Rio de Janeiro é um espaço marcado pelas contradições. Em termos sócio-econômicos essas contradições
saltam à vista, mesmo a um breve olhar. E a síntese disso é a dicotomia, que já se tornou clichê: de um lado o morro, de outro, o
asfalto. De um lado, Rocinha, de outro, São Conrado. De um lado Cantagalo, do outro, Ipanema. Está é uma das contradições, a
elite econômica vive ao lado daqueles que ela vê como os “favelados - criminosos”.
Voltando um pouco no tempo, podemos detectar a origem do problema das favelas no Rio de Janeiro, bem como em todo o
Brasil. Refiro-me à escravidão. Outro fator importante é a concentração de terras, originada no início da colonização pelo sistema de
capitanias hereditárias. Concentração fundiária essa que permanece e se acentua até os dias de hoje. Eis que com a vinda da família
real criou-se a polícia. No lugar do capitão do mato entrava a figura do policial, que possivelmente representava a mesma coisa na
visão dos escravos: a perseguição deles. Por isso, tanto o capitão do mato quanto o policial teriam a mesma função, o papel da
manutenção da ordem social, isto é, manter o escravo na senzala, manter o pobre no morro. Hoje a figura da polícia é vista como a instituição que preza e garante
a segurança. Bom, isso é o que ela deveria ser, mas de fato o é?
Como já dizia Paul Vidal de La Blache no final do século XIX e início do passado, os gêneros de vida - hábitos, tradições e
técnicas - marcam a ação humana na paisagem. Trazendo essa visão de Vidal para o Rio de Janeiro, os hábitos da elite marcaram
nosso espaço, segregando-o. Eis os processos conhecidos como segregação induzida (imposta aos menos favorecidos) e a
auto-segregação (promovida pelos ricos).
Com a abolição da escravatura, os escravos ganharam sua liberdade, está bastante limitada, uma vez que os escravos
migraram das senzalas às favelas. Isso porque o acesso à terra não era possível e a urbanização, sobretudo com Pereira Passos,
trouxesse consigo a infra-estrutura mas também trouxe a especulação imobiliária, afastando a população de baixo poder aquisitivo
do espaço urbano. E para onde iriam essas pessoas? Para as favelas. Assim então que o espaço é segregado. E até mesmo dentro
das favelas ocorre segregação. As áreas mais baixas dos morros são, geralmente, as mais valorizadas, sendo então ocupadas pela
população de renda relativamente maior.
Diversos são os problemas com relação a favela: tráfico de drogas e armas, falta de saneamento básico, falta de educação,
ausência de planejamento familiar, etc. Tudo isso vai encadear na violência urbana, um mal que atinge não só aos pobres,
mas também aos ricos. Estes foram obrigados a combater a criminalidade se segregando ainda mais, colocando grades e fios
elétricos nos prédios, contratando seguranças particulares e utilizando carros cada vez mais seguros. Todas essas medidas geram
um grande consumo de energia e quais são as conseqüências disso sobre o meio ambiente? Sem dúvidas bem impactantes,
no entanto, o governo não condena essas atitudes (ele não deveria zelar pela conservação da natureza?), mas pretende levantar
muros nas favelas, para segregar ainda mais o espaço, evidenciando as contradições.
Como coloquei no início, o Morro Dona Marta foi alvo de uma ocupação da polícia no ano passado. Bem provavelmente
essa ocupação foi feita mediante ao uso da violência policial. Sem dúvida, hoje o êxito da operação é inegável, bem como
proporcionou melhorias para população, ao afastar o tráfico. Foi desse êxito que a política dos ecolimites foi propagandeada e
legitimada, por isso, lá a construção do muro já se encontra em andamento. Será que todo esse dinheiro com o projeto não poderia
ser destinado a uma educação de qualidade aos menos favorecidos? Ou a um sistema de saúde que funcione? Diga-se de passagem - segundo dados do site da folha uol - o custo do projeto está previsto em torno de 40 milhões de reais. Verba essa para isolar as favelas, com destaque para as da zona sul - onde está a população de maior poder aquisitivo - 11 quilômetros ao total.
Todo esse quadro que levantei visa criticar a declaração estúpida e infeliz do chefe da Casa Civil - Regis Fichtner,
se referindo à construção de muro:
“Não há nada de segregacionista nisso, pelo contrário. É uma coisa que é da nossa cultura, todo mundo que mora em
prédio, em casa tem muro para delimitar justamente onde termina sua propriedade e onde começa a do outro. No caso, vamos
delimitar onde termina a propriedade dos moradores da favela e onde começa a mata, que pertence a toda a população do
Rio de Janeiro”. Isso é um verdadeiro absurdo!
Sem dúvida o crescimento das favelas deve ser contido, mas essas medidas são paleativas e interferem na liberdade dos
moradores de bem. Para resolver este problema seria mais coerente a realização de um programa de habitação popular, mas uma
iniciativa séria e não essa que temos, que atende somente a demanda da classe média. Os moradores da Rocinha
- conforme informou o noticiário da globo hoje - se manifestaram contra a construção do muro. Será que a voz deles serão ouvidas?
Ou serão, mais uma vez, caladas e ignoradas?
Autor: Felipe Cavalcanti de Araujo
Link da reportagem, que foi ao ar ontem, no RJTV: http://rjtv.globo.com/Jornalismo/RJTV/0,,MUL1111517-9099,00.html
